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8 de março de 2019

[sobre o oito de março]


eu nunca fui de seguir o papel que me foi imposto pela sociedade
parece que veio de nascença o desejo de ser tudo aquilo que disseram que eu não podia

eu fui menina quieta, calminha
assim como manda o protocolo
mas eu também jogava futebol de travinha todo santo dia com os meninos da minha rua

eu fui tímida e reprimida
do jeito que o sistema gosta
mas de mim saía faíscas de que eu podia ir além e nunca subestimei minha capacidade intelectual frente aos meninos da escola

eu fui carinhosa e nunca fui agressiva
assim como me foi ensinado
mas eu sempre soube que sou forte (fisicamente mesmo) e eu sempre ganhava dos meninos nas competições de queda de braço

eu usava vestido e fechava bem as pernas
assim como como a voz social gritava na minha cabeça todo dia
mas eu também usava os uniformes de time e os tênis do meu irmão sempre que podia

eu segui todos os conselhos de não sair de perto de casa pra concluir o ensino superior perto da família
assim como me foi exigido quando cogitei sair do interior
mas eu escolhi uma faculdade de engenharia e hoje trabalho num meio majoritariamente masculino

eu segui os papéis de ser alguém agradável socialmente
mas sempre que eu abria a boca era chamada de “a do contra”
e ainda bem que eu abria
abri também os olhos

sou a mais nova da casa e primeira da família a conseguir finalizar o ensino superior
não porque as que vieram antes não são tão boas quanto eu
mas porque elas tiveram trabalho demais preparando o terreno pra eu chegar onde estou

eu reconheço que só posso ser tudo que sou
usar as roupas que uso
trabalhar onde trabalho
ter a formação que tenho
sair pros lugares que saio
enlaçar as mãos nas mãos que enlaço
falar as coisas que falo
escrever as coisas que escrevo

porque muitas mulheres vieram antes de mim
e lutaram por mim
é mais que minha obrigação lutar pra que as meninas que virão
possam fazer tudo que eu faço
sem precisarem se reafirmar a todo instante
como eu

eu sonho com o dia que este dia chegue

afinal, é pra isso que serve o oito de março
pra lembrarmos de tudo que conquistamos
agradecermos aquelas que vieram antes de nós
olhar pra tudo que ainda temos que conquistar
e deixar as forças de outras se juntarem as nossas pra mirarmos um outro horizonte possível

companheiras, avante!

19 de dezembro de 2017

Dois anos da 3ª Conferência Nacional de Juventude: O que conquistamos?



No dia 19 de dezembro de 2015 se encerrava a 3ª Conferência Nacional de Juventude em Brasília-DF que tinha como tema "As várias formas de mudar o Brasil". A 3ConfJuv teve um processo bonito e participativo de construção. As discussões das propostas ocorreram em todas as etapas da conferência: municipais, estaduais, livres e digital. Foram centenas de jovens de todo o Brasil sonhando e construindo Políticas Públicas para Juventude que refletem suas realidades. Foi bonito de se viver!
A Pastoral da Juventude incentivou os jovens dos seus grupos de base a participarem de todas as etapas, e assim fizemos. Fomos a maior delegação desta conferência e nela buscamos defender nossas bandeiras de promoção da vida da juventude. A Esperança era a palavra da vez.
Jovens de todo o Brasil tiveram a oportunidade de falar quais as políticas públicas a juventude do Brasil quer e precisa. Dos dias 16 a 19 de dezembro de 2015 a juventude do Brasil gritou numa só voz “Não vai ter golpe”, gritou pelo fim da polícia militar, gritou pela diversidade, gritou pela justiça, mas infelizmente os nossos gritos não foram ouvidos. Hoje a Esperança que se via nos olhares das juventudes já não brilha tanto quanto há dois anos atrás.
O Plano Nacional da Juventude deveria ser elaborado a partir do conjunto de propostas que a juventude do Brasil apontou durante aqueles dias. 
As discussões foram organizadas em 11 eixos:  Participação, Educação, Trabalho, Diversidade, Saúde, Cultura, Comunicação, Esporte, Território e mobilidade, Meio ambiente e Segurança. E tínhamos diversas propostas para cada um desses eixos, propostas estas que refletiam a nossa realidade enquanto juventude brasileira.

Além das diversas propostas aprovadas, a juventude do Brasil apontou três prioridades gerais:

1ª Não à redução da maioridade penal, pelo cumprimento efetivo das medidas previstas no Estatuto da Criança e do Adolescente.

2ª Ampliar e acelerar o processo de Reforma Agrária e regularização fundiária, bem como reconhecimento e demarcação de terras pertencentes a povos e comunidades tradicionais, em especial das terras indígenas e quilombolas, acabando com as práticas forçadas de remoção de seus territórios. Assim, viabilizando a regularização da documentação de assentamentos já existentes, permitindo que os jovens tenham condições de permanecer ou regressar as suas terras originais, e serem assim contemplados pelos programas, projetos e ações para a juventude rural.

3ª Garantir a implantação do Sistema Nacional de Juventude composto por órgãos gestores, conselhos e fundos de públicas de juventude, nas três esferas administrativas. O fundo nacional de juventude funcionará com repasses fundo a fundo definido percentualmente entres os três entes federados para direcionar as políticas e ações para a juventude em âmbito nacional, estadual e municipal.

Dois anos após o início desta conferência eu convido cada uma e cada um a reler as propostas eleitas, a analisar as urgências de cada uma e a pensar: A juventude tem voz no Brasil?

Nós dissemos NÃO à redução da maioridade penal. Fomos ouvidos?
Nós pedimos Reforma Agrária e o Governo Temer tenta extinguir Reservas Nacionais e facilitar a entrada de mineradoras na Amazônia.
Nós pedimos investimentos na juventude e o Governo congela as verbas para saúde e educação por 20 anos.
Nós pedimos promoção da saúde integral da mulher e a bancada evangélica da Câmara aprova PEC que, proíbe o aborto até em casos de estupro.
Nós pedimos o Plano Nacional de Enfrentamento aos Homicídios que combata o extermínio da Juventude e em 2017 as mortes associadas às intervenções policiais cresceram 60%.
Nós pedimos a Reformulação do Ensino Básico e Médio democratizando e humanizando as escolas, incluindo debates como: gênero, igualdade, justiça social e liberdade, e ao invés disso é aprovado uma reforma do Ensino Médio que reduz ainda mais a possibilidade de avanço dos jovens de escola pública a “Escola sem Partido” avança, que na verdade é mordaça contra realização plena do educando.
Nós pedimos transporte público e gratuito de qualidade e ao invés disso as tarifas de transporte público só aumentam e a qualidade só diminui.
Nós pedimos a aprovação de uma lei que defina os crimes de ódio e de intolerância e as formas de coibi-los e ao invés disso temos um pré-candidato à presidência que grita aos quatro cantos do Brasil seus discursos de ódio e intolerância e ainda tem aprovação de uma parcela da população.
Nós dissemos NÃO ao uso de agrotóxicos e a Rede Globo tenta colocar na cabeça das pessoas que o “agro é pop”.
Nós pedimos a democratização da mídia e ela continua insistindo em manipular a população.
Nós pedimos acesso à cultura para a juventude periférica e chega no Senado uma proposta de criminalização do funk.
Nós pedimos emprego de qualidade e a proibição da terceirização em todas as suas formas e é aprovada a Reforma Trabalhista que retira direitos dos(as) trabalhadores(as).


Segue abaixo as prioridades eleitas para cada eixo temático:

Eixo Saúde: Promover a saúde integral da mulher jovem, sem seguir a lógica da medicalização e intervenção sobre o corpo. O sistema de saúde deve lidar com a prevenção da saúde das jovens, incluindo atendimento relacionado a abortos, que hoje é a quinta causa de mortes no país, o Estado deve tratar do caso como saúde pública garantindo-lhes atendimento ginecológico preparado.

Eixo Segurança: Criar um Plano Nacional de Enfrentamento aos Homicídios que combata o extermínio da Juventude Negra, dos Jovens de Povos e Comunidades Tradicionais, que vise a desmilitarização e a federalização das policias, fim dos autos de resistência, acesso à justiça, e formação específica em Direitos Humanos e Cidadanias voltados ao atendimento aos Povos e Comunidades Tradicionais, que visem eliminar ações repressoras por mecanismos de abordagem humanizados que respeitem as especificidades de identidade de gênero, raça/etnia, tradições e orientação sexual. Fortalecer e fomentar e ampliar o “Plano Juventude Viva” com um recorte específico para: Jovens negros, jovens PCTs, jovens LGBTs, respeitando os recortes de gênero e garantindo a participação direta e indireta do plano destas juventudes como forma de estimular a valorização destas identidades combatendo preconceitos e opressões.

Eixo Educação: Reformulação do Ensino Básico e Médio desde a matriz curricular à formação dos professores, democratizando e humanizando as escolas, incluindo debates como: gênero, igualdade,
justiça social e liberdade; ampliando a carga horária de disciplinas tais como: filosofia, sociologia e história, possibilitando, assim, o senso crítico e político dos estudantes.
Eixo Território e Mobilidade: Criar e implementar o Fundo Nacional e Inter federativo de mobilidade para todos os jovens, para subsidiar a tarifa zero, garantindo um transporte publico, gratuito, de qualidade, e acessibilidade em toda a frota, fazendo se cumprir o artigo 31, parágrafo único do estatuto da juventude.

Eixo Participação: Garantir a implantação do Sistema Nacional de Juventude composto por órgãos gestores, conselhos e fundos de políticas públicas de juventude, nas três esferas administrativas. O fundo nacional de juventude funcionará com repasses fundo a fundo definido percentualmente entres os três entes federados para direcionar as políticas e ações para a juventude em âmbito nacional, estadual e municipal.

Eixo Diversidade: Aprovar lei que define os crimes de ódio e de intolerância e as formas de coibi-los, nos parâmetros de outras leis tal como a de crime de racismo, para proteger todas as pessoas, inclusive jovens, independentes de classe e origem social, condição de migrante, refugiado ou deslocado interno, orientação sexual, identidade e expressão de gênero, idade, religião, situação de rua e deficiência.

Eixo Meio Ambiente: Combater o uso e abuso dos agrotóxicos, fortalecendo a sustentabilidade através da agroecologia, por meio de programas sociais para a agricultura familiar e a Juventude Rural, com ênfase na compensação econômica em contrapartida à preservação ambiental, assistência técnica, acesso ao crédito e Reforma Agraria.

Eixo Comunicação: Democratização da mídia modificando a legislação atual para que as rádios comunitárias tenham alcance igualitário das rádios comerciais. Regulamentar e democratizar a mídia do país, revendo os modelos de financiamento e concessão pública de TV, a partir da atualização e efetivação do marco regulatório da comunicação, respeitando a constituição de 1988 no que tange ao artigo 220, revogando o caráter consultivo do Conselho Nacional de Comunicação, alterando a sua composição permitindo a participação paritária da sociedade civil e governo e replicando este modelo de conselho no âmbito estadual e municipal.

Eixo Cultura: Garantir a construção, manutenção, ampliação e requalificação dos equipamentos culturais, promovendo a acessibilidade, sustentabilidade e participação social nas periferias, distritos, zonas rurais, comunidades tradicionais, povoados e assentamentos, descentralizando as ações de juventude e oferecendo espaços adequados, bibliotecas, sob consultoria especializada, para as diversas linguagens culturais: teatro, audiovisual, hip hop, dança, artes, artesanato, música, poesia dentre outras. Viabilizando a criação e fomento de grupos culturais tais como artesãos, grupos de dança, teatro e as demais expressões artísticas e culturais, priorizando os artistas municipais e a promoção de atividades itinerantes descentralizadas, incentivando programas culturais em escolas e associação de moradores, bem como a criação de editais sob a forma de prêmios (com prestações de contas facilitada E ESPECÍFICA PARA PCTs).

Eixo Trabalho: Garantir o acesso ao 1º emprego com qualidade; Reduzir a jornada de trabalho para 40 horas semanais; Proibir a terceirização em todas as suas formas.

Eixo Esporte: Criação do Fundo Nacional de incentivo ao esporte, com base orçamentaria de 2% do PIB, fortalecendo conselhos e secretarias de esporte, para ampliar os equipamentos esportivos e desenvolver programas de incentivo ao esporte, como iniciativas regionais e o Bolsa Atleta.


Sim, existem várias formas de mudar o Brasil; em 2015 a juventude brasileira apontou várias delas, mas infelizmente não nos deram ouvidos.
E o Brasil segue mudando, mas ao invés de promover a vida da juventude, o Brasil segue avançando no caminho da criminalização e da morte dela.

O caminho da vida só pode ser traçado quando sabemos de qual lado estamos.
De qual lado você está?
Do lado da juventude ou do lado dos que tentam nos calar?


Por Aline Nobre.

10 de outubro de 2017

Resenha: A História Secreta da Obsolescência Planejada



O Documentário “A História Secreta da Obsolescência Planejada”, dirigido por Cosima Dannoritzer se inicia apresentando um jovem chamado Marcos enfrentando um problema muito comum: sua impressora com defeito. O documentário então é desenvolvido não somente na busca de uma solução para este problema, mas também na busca por entender a raiz do mesmo. É então que somos apresentadas(os) a Obsolescência Planejada como causadora desse e de muitos outros problemas tecnológicos atuais.

O problema da impressora com defeito é um problema típico da maioria dos produtos tecnológicos que encontramos hoje em dia; após um certo período de uso eles simplesmente param de funcionar e o conserto normalmente custa tão caro que é mais vantajoso adquirir um produto novo e descartar o defeituoso. Esta é a lógica da obsolescência planejada: o descarte do “velho” para aquisição de um produto novo que promete ter mais eficiência.

A Obsolescência Planejada começou “oficialmente” no século XX, quando os fabricantes começaram a diminuir a vida útil dos produtos para aumentar as vendar e movimentar a economia.

Para entender o desenrolar do processo de “adoção” desse sistema de descarte no mundo, a diretora do documentário se utiliza do exemplo da lâmpada, que é apresentada como o ponto de partida da Obsolescência Programada no mundo. O Documentário faz um resgate histórico das primeiras lâmpadas produzidas no fim do século XIX, que duravam cerca de 1500 horas acesas e do processo de desenvolvimento das mesmas para que pudessem ter uma maior duração. Em pouco tempo já se eram possíveis lâmpadas com duração de 2500 horas, o que do ponto de vista do avanço tecnológico era uma grande vitória, mas do ponto de vista econômico era um prejuízo, pois as pessoas passariam a comprar cada vez menos lâmpadas e com uma frequência menor. Então no início do século XX criou-se uma organização não-oficial chamada PHOEBUS que limitava a vida útil das lâmpadas para 1000 horas, e as empresas que não cumprissem esta regra, poderiam sofrer “boicotes” pela desobediência. Começou então uma troca de valores por parte dos engenheiros e cientistas, que ao invés de buscarem produtos que durassem mais e gastassem menos matéria prima, agora tinha como principal valor fazer com que os produtos pudessem ter uma curta vida útil para que a economia continuasse a se movimentar. E esta lógica não se aplicava mais somente as lâmpadas, mas também aos tecidos, eletrodomésticos, automóveis, entre outros produtos.

Ainda falando sobre lâmpadas, Adolphe Chaillet inventou um filamento para fazer com que as lâmpadas durassem um período ainda maior de tempo, porém a produção não foi feita em escala industrial devido as regras sobre o limite de duração das mesmas, porém uma dessas lâmpadas que utilizou esse filamento, ainda hoje, mais de 100 anos depois, continua a funcionar, mas infelizmente o segredo dessa tecnologia morreu junto com o Adolphe, e nunca mais foi desenvolvida, ou se foi desenvolvida, não foi divulgada.

É de se entender a lógica usada naquela época para o “bem” da economia, porém hoje em dia com os recursos naturais cada vez mais escassos, continuar seguindo esse modelo de produção do descarte é estupidez, mas infelizmente podemos perceber que esse modelo de produção é a cada dia mais fortalecido.

Além do uso irresponsável dos recursos naturais, este modelo de produção é extremamente cruel com as pessoas que estão em uma situação social “baixa”. O grande volume de lixo eletrônico gerado é enviado para países subdesenvolvidos ou em desenvolvimento, tornando-os grandes “lixões”, e acabando com a paisagem e recursos naturais dos mesmos. Resumidamente as grandes potencias exploram os recursos naturais dos países mais pobres, usufruem dos bens e depois descartam o que não serve mais de volta nesses lugares.

Ao longo do tempo outras formas de Obsolescência Planejada foram sendo desenvolvidas, como por exemplo a aparência das coisas. Mudava constantemente o design dos objetos para que pouco tempo após o uso, os mesmos fossem considerados ultrapassados e as pessoas desejassem adquirir algo mais moderno, mesmo que as funcionalidades não fossem mais avançadas. Daí surge também o conceito de moda, onde a sociedade dita o que é aceitável socialmente dentro dos padrões que ela impõe.

Atualmente muito se fala de “Ciclo de Vida do Produto”, que é também uma forma da Obsolescência Planejada. As pessoas estudam todo o processo de produção dos materiais e geral, já considerando o seu descarte. Ou seja, a análise do ciclo de vida de um produto, é o estudo da obsolescência planejada sobre ele. A ideia de que as coisas são feitas pra acabar já está tão comum, que todas as pessoas tratam com normalidade e não conseguem enxergar que outra realidade é possível, uma realidade que não vise somente o lucro, mas que olhe para o meio ambiente e para as pessoas.

A Economia trabalha na perspectiva de um crescimento ilimitado, sendo que o planeta e os recursos são limitados. A ganancia humana faz com que vivamos de forma insustentável e que não façamos nada para mudar isto.

A arte por diversas vezes tem nos alertado para o perigo desse modelo de vida. O documentário mostra o exemplo de alguns filmes que retrataram de forma bastante real a Obsolescência Planejada, logo na época que ela começou a se popularizar. Hoje também podemos ver muitos exemplos de filmes e séries de ficção/distopia que também nos alertam para a realidade e para os possíveis efeitos futuros desta forma de produção irresponsável, como é o caso de "Interestelar", "The 100", "Black Mirror", "3%", "Wall-E", entre outras. 

O documentário também nos mostra sinais de esperança para a superação dessa cultura de consumo exagerado. Várias pessoas, coletivos, ONG’s tem trabalhado e lutado para combater a Obsolescência Planejada através da conscientização da população.

Ao final do documentário, Marcos encontra na internet uma dessas pessoas que lutam contra a Obsolescência Planejada e que o ajuda a resolver o problema da sua impressora; trata-se de um chip contido na impressora que depois de um certo número de impressões faz com que a impressora pare de funcionar – isto acontece com diversos produtos eletrônicos – e o problema é resolvido a partir de um simples aplicativo de computador que “zera” o chip da impressora, fazendo com que a mesma volte a funcionar perfeitamente sem precisar de nenhum ajuste.

Apesar do grande problema apresentado pelo documentário, este desfecho nos traz esperança de que podemos lutar e resistir contra esse sistema de descarte contínuo e gerar uma nova cultura de consumo consciente.

Podemos perceber vários aspectos dos conflitos Homem-Natureza presentes neste documentário: As diversas vezes que o interesse coletivo é deixado de lado por causa de interesses pessoais, a problemática dos recursos finitos X desejos infinitos, as questões éticas que frequentemente são deixadas de lado, a problemática da sociedade do consumo, o uso dos recursos naturais, as consequências do modelo moderno de vida, a lógica do capital, a globalização e os diversos problemas ambientais que enfrentamos. O documentário consegue fazer uma síntese das relações de consumo e do modelo de vida atual, nos alertando para as consequências futuras que este modelo pode causar.


“O mundo é grande o suficiente para atender
 às necessidades de todos, mas sempre demasiado 
pequeno, para a ganância de alguns."
(Mahatma Gandhi)



Você pode encontrar o documentário clicando AQUI


Por Aline Nobre


31 de março de 2016

1º de Abril

Ao lembrarmos desta data, involuntariamente pensamos no “Dia da Mentira”, o que de fato é uma verdade. Este dia começou a ser comemorado na França no século XVI, mas ganhou muito sentido se analisamos nossa História Brasileira.

Dia 1º de Abril de 1680 marcou historicamente o dia da Abolição da Escravidão dos Povos Originários (chamados pelos colonizadores de “Índios”), por ocasião de o Rei de Portugal publicar uma lei que acabava com o cativeiro Indígena no Brasil, porém a verdadeira “libertação” dos Povos Originários foi efetivada por lei somente em 1758 em todo o Brasil. A data foi uma grande mentira, e será que não continua sendo até hoje? Ainda hoje os Povos Originários vivem lutando pelo direito à educação que contemple sua cultura. Eles não querem ser tratados apenas como parte do folclore brasileiro e nem serem vistos como “Indios”; que é como os colonizadores os chamavam, achando que eram superiores à eles. Ainda lutam para se manterem vivos – fisicamente e culturalmente e por direitos que já foram garantidos por lei, mas que não são cumpridos na prática. Eles buscam a preservação de seus meios de vida (os rios, as matas, as florestas). A PEC 215, defendida por certos políticos da Câmara teima em tirar deles o direito à terra previsto na Constituição Federal. Não será isso tudo ainda escravidão? Todos essas lutas e anseios por liberdade não deveriam ter acabado? Essa abolição não será uma mentira?



Dia 1º de Abril de 1964 foi o dia a culminação do Golpe Civil-Militar. Esta data não torna a tão batalhada Democracia também uma mentira? Foi instaurado em sequência o regime militar que foi uma época marcada por repressão, falta de democracia, perseguição, censura e suspensão de direitos constitucionais. Esse foi um período de mentira e sofrimento para a população pobre e para àqueles que à defendiam. Foram mais de 20 anos de falsa melhoria para o Brasil, onde reinava a mentira, e calava-se a verdade.



No contexto político-social-econômico que estamos vivenciando, não muito podemos esperar do 1º de Abril. Mentiras e mais mentiras continuam a ecoar por essa data, e o pior; mentiras fantasiadas de verdades-honestas-limpas-e-direitas que de tanto serem repetidas, se tornam verdades absolutas para muitos. Erros históricos ameaçam serem repetidos, só que desta vez com consentimento popular.

Com um dia do ano tão marcado por mentiras e injustiças, cabe a cada um de nós a busca da transformação dessa realidade. Não podemos continuar colaborando com esse sistema que se sustenta na mentira em qualquer dia do ano. Façamos a verdade prevalecer em cada dia de nossa existência. A mudança começa nas bases, começa no povo. Sejamos a mudança!



ALINE SILVA NOBRE

8 de março de 2016

Dia Internacional da Mulher



Hoje é o Dia Internacional da Mulher, e tem um motivo para a celebração deste dia. É comum ouvir logo cedo piadas sobre o dia, promoções de sapatos e eletrodomésticos e felicitações vazias no rádio e na TV, porém é um pouco mais raro ouvir sobre o real sentido da celebração, mas ainda existem mulheres e homens que se importam em dá a esse dia o verdadeiro sentido que ele tem.
As pessoas associam o 8 de março a muitas coisas, e o real significado acaba sendo ofuscado em meio à flores, sapatos, bombons e geladeiras, que são anunciados como desejos das mulheres; e muitas de nós acabamos desejando.
Meus desejos para esse dia são bem maiores e mais caros e para se fazerem reais não podem ser me dados em apenas um dia, são desejos diários, que devem se realizar no cotidiano.
Eu desejo RESPEITO, mas pra você me conceder esse desejo vai lhe custar caro, vai lhe custar seu orgulho, vai lhe custar admitir que seu respeito não será dado a mim porque você é uma pessoa boa, mas sim porque eu mereço ser respeitada; é um direito meu.
Eu desejo IGUALDADE DE GÊNERO, mas isso talvez lhe custará mais caro ainda, pois você vai ter que engolir seu ego, vai ter que aceitar que a minha capacidade não é menor que a sua, vai ter que parar de me ver como o sexo frágil e admitir minha força, força essa que me fez aguentar e lutar contra toda a repressão e humilhação que vivi a vida toda e continuo vivendo.
Eu desejo RECONHECIMENTO, mas esse reconhecimento também não irá lhe sair barato. Você terá que rever todos os seus conceitos e colocar meu nome nos livros de História, de Física, de Química e em todos os locais que eu fui minimizada somente pelo fato de eu ser mulher.
Eu desejo LIBERDADE, mas ela lhe custará seu machismo. Você não poderá mais me usar como objeto, não achará que tem direitos sobre mim porque eu sou sua companheira, não poderá mais alegar que como eu me visto e para onde saio definem quem eu sou, não mais poderá achar que seus desejos estão acima dos meus e que você, por ser homem, não controla seus impulsos e instintos.
Eu desejo EMPATIA, tão sonhada e rara empatia. Quero que você se coloque em meu lugar, tente me entender e reconheça que todos os meus desejos são genuínos, nobres e necessários.
Desejo que você compreenda que este dia existe pelas minhas lutas de ontem e de hoje, para que num futuro eu já não precise mais lutar, para que num futuro esses desejos já sejam tão reais que não haverá mais razão de existir um dia para lembrar-me dos maus bocados que eu já passei.
Eu estarei aqui quando este dia chegar.


Eu sou todas e cada uma das mulheres.

10 de novembro de 2014

Livro: "O Lado Bom da Vida", de Matthew Quick

"O Lado Bom da Vida" é o livro mais conhecido do autor americano de romances Matthew Quick.




Gente li esse livro em dois dias, e SUUUUUUUPER recomendo, é uma leitura muito divertida, romântica e por vezes filosófica. E não recomendo só pras meninas não, tenho certeza que os meninos também irão adorar a história de Pat, um cara super legal que acabou de sair de uma clínica de recuperação, e não consegue lembrar do tempo que passou  no “lugar ruim”- como ele chama – e acha que passou apenas alguns meses lá, mas descobre que foram anos. Quando ele volta a casa de seus pais se depara com várias mudanças – nem tão boas – do lugar e das pessoas que ele ama. Ele passa a dedicar inteiramente em melhorar seu caráter pra conseguir que “tempo separados” com sua ex-mulher acabe logo, mas na verdade ele nem sabe o motivo de esse "tempo sepadados" ter começado(que é o mesmo motivo pelo qual ele foi internado). Durante esse periodo de readaptação a sua antiga vida, ele vai conseguir uma amiga pra ajudá-lo, que é Tiffany, uma mulher que assim como ele sofre com problemas psicológicos. E essa amizade improvável vai dar muito o que falar. 
Esse livro foi adaptado pra cinema, e que interpreta Pat, é Bradley Cooper (Que fez o filme “Se Beber Não Case”) e Tiffany é interpretada por Jennifer Lawrence (Ela mesma,a Katniss de Jogos Vorazes). Então corram pras livrarias ou locadoras pra comprar esse livro, ou ao menos ver o filme, vai valer a pena, juro.

Abaixo segue alguns trechos do livro:


"O mundo vai quebrar o seu coração de 10 formas diferentes até o Domingo. Isso é garantido. Não dá para explicar isso. Ou as loucuras dentro de mim e de todo mundo. Mas adivinhe? Domingo é o meu dia preferido de novo. Eu penso no que todos fizeram comigo, e eu me sinto um cara muito sortudo."


"Estou praticando ser gentil em vez de ter razão!"
(essa é uma das minhas preferidas)


"Você tem que fazer tudo o que puder, dar o seu melhor, se fizer isso e se for positivo, tem uma chance de ser feliz."


"Eu ainda tenho uma mulher em meus braços que sofreu muito e precisa desesperadamente acreditar que é linda outra vez. Em meus braços está a mulher que me deu a Tabela de Nuvens do Observador do Céu, uma mulher que sabe todos os meus segredos, uma mulher que sabe quão problemática é minha mente, quantos comprimidos eu tomo, e que ainda assim permite que eu a abrace."

É isso, espero que tenham gostado e que leiam o livro ou assistam o filme.

Você pode baixar o livro gratuitamente em PDF (AQUI)

Você pode comprar o livro (AQUI)

E assistir o filme online (AQUI)

Abraço.

2 de outubro de 2014

Resenha - Documentário: Um Ambientalista Cético.

Olá, recentemente estava assistindo uns documentários da faculdade, e novamente assisti "Um Ambientalista Cético", um documentário impressionante que traz informações pouco conhecidas para o público em geral sobre as questões ambientais, e resolvi falar um pouco sobre ele aqui.

O documentário tem como personagem principal o cientista dinamarquês Bjørn Lomborg, que vem causando muitas polêmicas desde o lançamento de seu livro “Cool it” que logo se tornou documentário. A maior causa da polêmica é que Lomborg critica a forma de combater o aquecimento global através do medo, como é usado no filme “Uma Verdade Inconveniente” do democrata Al Gore.
Ele alega que muitas informações usadas no filme de Al Gore são falsas e se dirige por vezes diretamente ao democrata.
Não que Lomborg negue que haja o efeito estufa, ou que a terra não está esquentando, ele só afirma que as coisas não estão tão alarmantes assim, e que sim, com atitudes corretas sendo tomadas, o mundo pode melhorar e acabar com o terror que nos cerca devido ao aquecimento global.
No documentário, o ambientalista traz soluções que custarão relativamente pouco para solucionar os problemas ambientais, e soluções estas que parecem muito mais eficientes do que as que o governo atual propõe.
O governo tem planos de gastar bilhões de dólares para somente amenizar, ou adiar os problemas ambientais em alguns poucos anos, sendo que as propostas feitas por Lomborg tem o mesmo custo em dinheiro destas outras e o efeito positivo para o planeta seria bem melhor e duraria por longo prazo.
Lomborg conseguiu reunir os maiores economistas no “Consenso de Compenhague”, grupo criado por ele para neste serem discutidos os maiores problemas mundiais, e as quais se devem priorizar e dar maior atenção. Neste consenso eles discutem como deve ser gasto o dinheiro investido nos problemas do planeta, de forma que valha a pena, pois na maioria das vezes é investido muito em uma coisa que não mudará quase nada.
O cientista argumenta que as soluções propostas em conferencias ambientais, como Protocolo de Kyoto, poderiam até trazer algumas mudanças positivas nas questões ambientais, mas as mudanças seriam poucas e gasto tido com estas seria alto de mais, o que não valeria a pena.
Ele defende que os bilhões de dólares gastos com estas propostas e que não mudaria quase nada, fosse investido no bem estar da população mundial, que valeria muito mais a pena. E alega também que os problemas ambientais não são os maiores problemas do mundo, e que a saúde, educação e bem estar das pessoas deveriam ser a prioridade.
No documentário, o cientista nos mostra como é a visão sobre o aquecimento global em diferentes lugares. Ele entrevista crianças de um país pobre e de um país rico, e quando pergunta as crianças do país pobre quais os desejos deles para o futuro, e eles respondem que é ter casas melhores, carros, televisores, são o que eles querem, e assim podemos ver que estas necessidades para eles são bem mais importantes do que a diminuição da temperatura da terra. Já as crianças do país rico pensam em ter um planeta melhor, sem aquecimento global e com mais árvores, podemos ver que estas crianças já são “amedrontadas” e tem muito medo do futuro que podemos ter.
O autor do livro/documentário afirma que Al Gore é muito alarmista em suas previsões, pois ele só pega os piores problemas, piores dados e as piores histórias, levando as pessoas a acreditarem que o problema é bem pior do que a realidade.
No documentário, Lomborg nos mostra várias maneiras de diminuir o aquecimento global gastando muito pouco. E são soluções simples como pintar o telhado de branco que poderiam mudar bastante a situação do planeta. Nos mostra fontes renováveis de energia que poderiam nos ajudar a depender menos dos combustíveis fosseis, mais o problema somos nós, que não queremos nos mexer e nem “nós levantarmos de nossas poltronas” para agir, porque é muito mais fácil para nós continuarmos a usar os combustíveis fósseis e pagarmos um valor para descarregar o peso das consciências do que realmente ter ações que ajudem o meio ambiente.
Outro problema é o desenvolvimento de tecnologias que possam armazenar as energias renováveis, pois, por exemplo, a energia eólica só funciona enquanto há vento, pois não foi encontrada ainda uma forma eficiente de armazena-la.
Neste documentário podemos perceber maneiras de amenizar o aquecimento global com formas eficientes, podemos perceber que nossa situação não é tão ruim assim e que ainda há tempo de mudar, o que nos falta é um governo que saiba investir nas soluções certas. Pois já estamos a caminho da melhora, a água está menos poluída, a pobreza diminuiu, a expectativa de vida aumentou, o ar está menos poluído, então há muitas razões para acreditar que estamos melhorando, e com um investimento certo no planeta podemos garantir um futuro bem mais agradável que o presente para as futuras gerações.


Espero que gostem da resenha e que assistam este documentário.
Está disponível em: http://www.youtube.com/watch?v=kQToxsLYm0M