21 de agosto de 2016

POEMA SOBRE UM FIM DE SEMANA

Estou inerte
Parada
Travada

Penso na perca de tempo
Penso muito
Faço nada

Reclamo da vida
Das horas
Das pessoas

Vejo minha parcela de culpa
Em cada reclamação
Em cada relação

Acabo deitada na cama
Só com palavras
Sem nenhuma ação.

- Aline Nobre

17 de agosto de 2016

Bruna Caram: A Mulher-Poesia

Faz um tempinho que não escrevo sobre bandas, cantoras ou cantores aqui no Blog e hoje resolvi falar da voz que vem embalando minha vida desde o ano passado e que acho que ainda vai estar presente na minha vida por muito tempo.



Bruna Caram foi amor à primeira vista. Foi no ônibus que uma amiga falou "escuta só essa versão de 'quem sabe isso quer dizer amor' do Milton, tenho certeza que tu vai gostar." e eu amei. Deste dia em diante não parei mais de ouvir a linda e doce voz da Bruna.
Ela é dessas artistas completas, que quanto mais a gente conhece, mais a gente ama. Eu me encanto à cada foto no Instagram, à cada postagem no Facebook, à cada vídeo no YouTube, à cada verso de seu livro e à cada pedaço de poesia dela que ela vai deixando escapar pelo mundo.
E o que falar de suas interpretações? Maravilhosa! Me encanto a cada performance. Ela não somente canta; ela se joga na canção sem medo e enche os olhos e os ouvidos de quem tem a oportunidade de apreciá-la. Ela é feito criança que tá brincando de ser feliz.

Veja esse vídeo, é um pouco antigo, mas é um dos meus preferidos:



E ela canta sorrindo!
Ela é cantora, compositora, poetiza, atriz, professora de coral e até Padre. hehehe. Sim, ela já celebrou um casamento! E é por essas e outras que se tornou minha artista preferida dos últimos tempos. Seu talento musical é inquestionável, mas seu jeito de viver é de se apaixonar ainda mais.

Ah, e ainda tem seu livro "Pequena Poesia Passional" que li todinho de uma só vez e me encantou pela sua leveza  e simplicidade de viver a poesia no dia-a-dia.



Além de apreciar, rezo pelo dom dessa mulher, que nasceu pra deixar a vida mais bela.


1 de agosto de 2016

1º de Agosto

Que agosto
Tenha gosto de felicidade
Deixe marcas de saudades
Seja repleto de amor

Que leve as dores embora
E as tristezas de outrora
Que a alegria seja agora
Que o tempo caminhe a nosso favor.

Aline Nobre, Dos versos que surgem no dia 1 de cada mês.

5 de julho de 2016

1 de julho de 2016

Ser e Estar

A igualdade aparente é o disfarce da alma
Se vivo alimentando rótulos não vivo, morro!
Se morro para retirá-los não morro, vivo!
As diferenças que transparecemos são o espelho do ser

Quem tem coragem de ser terá ouvidos pacientes
A vida brota do silêncio e da espera
Somos particularidades e lembranças
Vivemos das migalhas que colhemos do passado

A permanência aparente é a saudade mentirosa
Não me vale inventar afetos para manter contato forçado
Mais me vale lembranças felizes do que presença insossa
Nem fotografia serve quando a memória não ama

Quem ama se faz vivo, vive!
Além-tato, além-audição, além-olfato, além-visão
Quem ama se faz vivo em sentidos sem denominação
A ausência presente é a verdade que se revela

Se sei que posso contar contigo, sei mesmo sem ouvir de ti
Não preciso de provas de amor ou declarações públicas de afeição
A verdade se revela na presença oculta, na cumplicidade, sem palavras
Estar presente é ser presença quando se precisa de atenção


Por Aline Nobre e Gizele Barbosa, fsp

31 de março de 2016

1º de Abril

Ao lembrarmos desta data, involuntariamente pensamos no “Dia da Mentira”, o que de fato é uma verdade. Este dia começou a ser comemorado na França no século XVI, mas ganhou muito sentido se analisamos nossa História Brasileira.

Dia 1º de Abril de 1680 marcou historicamente o dia da Abolição da Escravidão dos Povos Originários (chamados pelos colonizadores de “Índios”), por ocasião de o Rei de Portugal publicar uma lei que acabava com o cativeiro Indígena no Brasil, porém a verdadeira “libertação” dos Povos Originários foi efetivada por lei somente em 1758 em todo o Brasil. A data foi uma grande mentira, e será que não continua sendo até hoje? Ainda hoje os Povos Originários vivem lutando pelo direito à educação que contemple sua cultura. Eles não querem ser tratados apenas como parte do folclore brasileiro e nem serem vistos como “Indios”; que é como os colonizadores os chamavam, achando que eram superiores à eles. Ainda lutam para se manterem vivos – fisicamente e culturalmente e por direitos que já foram garantidos por lei, mas que não são cumpridos na prática. Eles buscam a preservação de seus meios de vida (os rios, as matas, as florestas). A PEC 215, defendida por certos políticos da Câmara teima em tirar deles o direito à terra previsto na Constituição Federal. Não será isso tudo ainda escravidão? Todos essas lutas e anseios por liberdade não deveriam ter acabado? Essa abolição não será uma mentira?



Dia 1º de Abril de 1964 foi o dia a culminação do Golpe Civil-Militar. Esta data não torna a tão batalhada Democracia também uma mentira? Foi instaurado em sequência o regime militar que foi uma época marcada por repressão, falta de democracia, perseguição, censura e suspensão de direitos constitucionais. Esse foi um período de mentira e sofrimento para a população pobre e para àqueles que à defendiam. Foram mais de 20 anos de falsa melhoria para o Brasil, onde reinava a mentira, e calava-se a verdade.



No contexto político-social-econômico que estamos vivenciando, não muito podemos esperar do 1º de Abril. Mentiras e mais mentiras continuam a ecoar por essa data, e o pior; mentiras fantasiadas de verdades-honestas-limpas-e-direitas que de tanto serem repetidas, se tornam verdades absolutas para muitos. Erros históricos ameaçam serem repetidos, só que desta vez com consentimento popular.

Com um dia do ano tão marcado por mentiras e injustiças, cabe a cada um de nós a busca da transformação dessa realidade. Não podemos continuar colaborando com esse sistema que se sustenta na mentira em qualquer dia do ano. Façamos a verdade prevalecer em cada dia de nossa existência. A mudança começa nas bases, começa no povo. Sejamos a mudança!



ALINE SILVA NOBRE